Por que a educação básica corre perigo e pode acabar em poucos anos?

    A resposta para esta pergunta (ou melhor, as respostas) varia de acordo com quem está sendo o interlocutor da história. Para os gestores e gestoras, estaduais e municipais, os cursos são de péssima qualidade e pouco atraentes aos discentes. Para os estudantes, que almejam uma boa condição financeira e qualidade estrutural de trabalho, com ética e moral, é pouco ou nada atraente trabalhar em ambientes contaminados pela desvalorização profissional do educador brasileiro.

    Com salários defasados, tendo que trabalhar até três turnos diários, sendo coagidos pelos gestores(as), com falta de incentivos para formações e especializações para melhorar e desenvolver um bom trabalho nas escolas, com Planos de Carreiras desatualizados e não respeitados, além das diretrizes (PNE, PME, Estatutos e etc) ignorados pelos governadores e prefeitos, os estudantes de licenciatura se veem em uma situação pouco confortável para prosseguirem na carreira da docência.

    Segundo um estudo feito pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, cerca de 58% dos estudantes de licenciaturas abandonam os cursos antes de concluir todas as disciplinas. A maior causa disso é justamente a pouca atratividade e boas perspectivas em um trabalho que apresenta aspecto muito desgastante como o magistério se apresenta na atualidade no Brasil.

    Uma das maiores mazelas não são só a questão dos salários defasados, de propósito, pelos(as) gestores(as) que, segundo a Meta 18 do PNE (Lei nº 13.005/2014), obriga que a União, os Estados, Distrito Federal e os Municípios garantam planos de carreira e remuneração para os profissionais da educação escolar básica pública (consolida pelo art. 61 da LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).

    Como exemplo claro dessa situação alarmante, temos o Município de Açailândia - MA que tem vencimento base do(a) docente defasado em 25,44%. Ou seja, o Piso Municipal pago pelo ente é de R$ 3.651,59, enquanto que o Piso Nacional (atualizado pela Portaria Interministerial nº 07, de 29/12/23), válido a partir de 01/01/2024, é igual a R$ 4.580,57. Um fato mais interessante ainda é que o município em questão repassa para os professores contratados (nada contra os contratos) o valor integral do piso nacional, causando uma isonomia salarial e um desconforto entre a classe docente.
Com isso, o Município de Açailândia provoca, de forma proposital, uma espécie de atrito entre os professores efetivos e os professores contratados.

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