Os dados revelam uma flagrante contradição na gestão da educação em Açailândia. Apesar do crescimento robusto dos recursos do FUNDEB, que praticamente dobraram entre 2021 e 2026, e da estabilidade no número de matrículas, os reajustes salariais dos professores municipais ficaram muito aquém dos índices nacionais, acumulando uma defasagem salarial alarmante de 24,30% atualmente. Entre os anos de 2021 e 2026 os reajustes nacionais e municipais apresentaram diferenças significativas que causaram espanto na classe docente. Enquanto o índice de reajuste do Piso Nacional acumulado nesse período atingiu 77,76%, o índice de reajuste do Piso Municipal de Açailândia (art. 46, Parágrafo Único do PCCR) ficou em 49,23%, resultando na maior defasagem da história do Município de Açailândia, aproximadamente 24,30%, com o novo reajuste dado pela MP n.º 1.334/2026, no dia 21 de janeiro de 2026.
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| Fontes: Censo Escolar, FNDE, INEP e Portal Tesouro Transparente. |
Vale ressaltar que o maior impacto na defasagem ocorreu no ano de 2022, quando o reajuste do Piso Nacional foi de 33,24%. No período o Município de Açailândia desrespeitou a Lei do Piso Nacional do Magistério (
art. 5º da Lei n.º 11.738/08) gerando a principal defasagem que não foi compensada nos anos seguintes. Apesar de o Município de Açailândia ter registrado um expressivo crescimento de suas receitas — no acumulado, observa-se que o ente teve um crescimento de 93,97% (2021 e 2026), evidenciando que os recursos disponíveis praticamente dobraram no período — a gestão municipal demonstra incoerência e descaso ao manter o vencimento base dos docentes defasado. Esse contraste evidencia uma política de prioridades equivocadas: enquanto os cofres públicos se fortalecem, os profissionais da educação continuam a enfrentar perdas salariais que comprometem sua dignidade e desvalorizam o papel essencial que desempenham. O aumento da arrecadação deveria se refletir em investimentos diretos na valorização dos servidores, especialmente dos professores, que são pilares do desenvolvimento social. A omissão em corrigir o vencimento base revela não apenas falta de planejamento, mas também desrespeito à categoria, que sustenta a qualidade da educação mesmo diante de condições financeiras injustas. Essa defasagem representa uma grave afronta à promessa de campanha do atual prefeito de Açailândia, que se comprometeu publicamente a acabar com essa desigualdade salarial na educação. No entanto, a realidade mostra um governo municipal que falhou em cumprir essa promessa fundamental, deixando os profissionais da educação desvalorizados e desmotivados.
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| Campanha eleitoral de 2024 |
Enquanto os recursos financeiros disponíveis para a educação aumentaram significativamente, os educadores continuam enfrentando perdas salariais que comprometem a qualidade do ensino e o desenvolvimento do município. Essa negligência não apenas prejudica os trabalhadores, mas também impacta diretamente a formação das futuras gerações de Açailândia. É urgente que o governo municipal assuma sua responsabilidade e implemente medidas concretas e eficazes para corrigir essa injustiça histórica, valorizando verdadeiramente os profissionais que dedicam suas vidas à educação e ao futuro da cidade.