
Apesar do crescimento ínfimo no número de alunos matriculados (3) na rede municipal de ensino, a Prefeitura de Açailândia recebeu (de janeiro até a 1ª Cota Decendial de novembro) em 2025 praticamente o mesmo volume de recursos do FUNDEB que em todo o ano de 2024 - e ainda faltam contabilizar duas (2) Cotas Decendiais de novembro e o todo o mês de dezembro de 2025. A discrepância entre o volume de recursos e a ausência de valorização salarial dos profissionais da educação levanta sérias dúvidas sobre a gestão dos recursos públicos e o compromisso da administração municipal com a qualidade do ensino. Segundo dados oficiais, a receita do FUNDEB em Açailândia foi de R$ 173.273.089,24 entre janeiro e dezembro de 2024. Já em 2025, até o mês de novembro (1ª Cota Decendial), o município já recebeu R$ 170.649.575,91, o que indica que o total anual ultrapassará com folga o valor do ano anterior. No entanto, os profissionais da educação seguem enfrentando uma defasagem salarial de 19,12%, sem qualquer perspectiva de reajuste, rateio ou bonificação. Mais dinheiro, quase os mesmos alunos: onde está a valorização? O repasse do FUNDEB aos municípios é feito com base em critérios legais, sendo o principal deles o número de alunos matriculados na rede pública de ensino. De acordo com a primeira amostra do Censo Escolar, o número de estudantes em Açailândia teve um crescimento mínimo entre 2024 e 2025. Em 2024, eram 18.272 alunos matriculados. Já em 2025, esse número passou para 18.275, ou seja, um acréscimo de apenas 3 matrículas.

Se não houve crescimento significativo no número de alunos, também não houve necessidade de contratação de novos profissionais da educação ou aumento de despesas operacionais. Isso significa que a estrutura da rede permaneceu praticamente a mesma, enquanto a receita do FUNDEB se manteve elevada. Portanto, a sobra de recursos é evidente - e reforça a viabilidade do rateio e do pagamento de um 14º salário aos docentes. A ausência de medidas concretas por parte da Prefeitura de Açailândia para corrigir a defasagem salarial e aplicar corretamente os recursos do FUNDEB tem gerado indignação entre os educadores. A falta de transparência na gestão dos recursos, somada ao silêncio da administração diante das reivindicações da categoria, compromete não apenas a dignidade dos profissionais, mas também a qualidade do ensino oferecido aos alunos. A valorização dos profissionais da educação é um dos pilares para o desenvolvimento social e econômico de qualquer município. Ignorar essa realidade é negligenciar o futuro da cidade. A defasagem de 19,12% nos salários representa mais do que um descaso financeiro - é um desrespeito institucional com quem forma cidadãos todos os dias. O rateio dos recursos do FUNDEB é uma prática legal, prevista na legislação, e já adotada por diversos municípios brasileiros como forma de reconhecer o esforço dos profissionais da educação.
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| Variação e previsão do FUNDEB (2015 a 2025), Portaria Interministerial MEC/MF n.º 05, de 28 de agosto de 2025. |
Em Açailândia, diante dos números apresentados, essa medida não só é possível - como é urgente. A sociedade precisa cobrar da Prefeitura mais responsabilidade, mais transparência e mais compromisso com a educação pública. Os recursos existem. O que falta é vontade política.